31 de ago de 2010

macaxeira

 
Mesmo para os mais antigos manauaras, Hildelbrando Silva provavelmente seja um nome que nada traga de recordação. Mas alguns devem se lembrar do “Macaxeira”, o apelido desse homem moreno, magrinho e grisalho, que fazia parte do folclore urbano da Manaus dos anos 50. Numa época em que ainda não se conhecia a figura do morador de rua, hoje tão frequente nos centros urbanos do país, ele perambulava à toa pela cidade, mas voltava ao fim do dia para sua casa na periferia. Possuidor de algum tipo de perturbação mental, Hildelbrando tinha uma marca própria: se o chamassem por Macaxeira, ato contínuo, ele rabiscava no chão, com uma pedra ou qualquer outra coisa, suas verdadeiras iniciais: HS. Com isso estava dado o sinal: ao concluir tal gesto sairia correndo ensandecido atrás de quem gritara o detestado apelido.
     A exata razão desse apelido é desconhecida. Contudo, há outro causo, que traz relação com este, melhor sustentado quanto ao emprego da alcunha. Naquela mesma época chegou por lá um delegado de Trânsito, Raimundo Nonato de Castro, que inovou no exercício do cargo: pela primeira vez em Manaus, aplicaram-se sinalizações de solo, para designar sentidos de mão de trânsito, vagas de carros e coisas assim. O povo não perdeu tempo e logo transferiu àquele político, que passara a “riscar o chão” da cidade, o apelido do Macaxeira, com o que deixava o tal delegado louco da vida – ainda mais que o próprio Hildebrando...

a partir de rememoração de Helio Braga e registro de Edu

5 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Por certo a figura estranha do Macaxeira teria gerado outros “causos” além do acima registrado, que se perderam ao longo do tempo. Há um fato, entretanto, que merece destaque por se revelar um misto da enlouquecida reação do Macaxeira quando lhe atribuíam o malfadado apelido e a satisfação mórbida dos que provocavam tal reação.

    Havia na Av. 7 de setembro, centro da cidade, a muito bem instalada Agência de Representação da FORD, onde se encontravam com muita frequência em exposição os últimos modelos desses carros, todos importados, eis que nossa indústria automobilística, naquela época, não ia além do disputado FUSCA.

    A curiosidade que esse fato despertava atraía para frente da referida Agência, vários curiosos para admirar, através de vitrinas enormes, os modelos tão sedutores dos carros ali em exposição.

    Estava ali um ambiente propício para que os provocadores da ira do Macaxeira, postando-se diante da vitrina da loja, criassem o risco mais do que real de que a pedra lançada pelo ofendido estilhaçasse a vitrina da loja. Essa possibilidade provocava desesperada reação do proprietário da Agência, que no seu sotaque de judeu recém-chegado a Manaus, vociferava: “Não faz isso, menino, que quebra vidro da loja!”

    O duplo objetivo dos provocadores foi alcançado: irritaram o indefeso Macaxeira e ameaçaram a preocupação do proprietário da loja.

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  3. Nobre Poeta, obrigada por sua visita no Centro Literário de Piracicaba (CLIP), seu site é muito bonito e especial, parabéns! o CLIP tem um espaço para poetamigos, se tiver interesse em ver publicados seus poemas em nosso Blog, esteja à vontade para enviá-los por e-mail.
    beijos
    Mara Bombo

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  4. Salve o pessoal do CLIP! Muito obrigado pela visita e por tuas palavras, Mara!

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  5. Essa riqueza memorialista do 'seu' Helinho já mais que merecia uma sistemática de registro pela escrita. Tenho certeza de que o pessoal da Jacintha Editores teria todo o interesse em tratar uma publicação com tal teor...

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obrigado por suas gotas!