19 de jan de 2018

13 de jan de 2016

camadas








Argentina, Bolívia e Chile, 2015

linhagem no tempo

instigado por mim, meu pai rememora sua infância. há prazer, interesse, curiosidade de quem fala e de quem ouve. mas algo de lapso fica no ar. certa necessidade minha, como de atenuar não ter participado daquela vida.
pelo menos localizo algo assim na minha escuta. feito eu pai do filho que narra uma existência – incontáveis causos, dramas, superações, insignificâncias – que eu não pude dividir com o então garoto. apartado de tais momentos, os recupero de um outro lugar, na carne de um ser ouvinte, em paradoxal avidez de recordar feitos não vividos por mim. indiferente a isso, ele reparte comigo parte do vivido. resgata, filtra, recria, diz lembrar. meu quinhão para registro. 
pai dele tenha sido, estaríamos juntos já nesta foto, com o patriarca Octaviano ao centro. eu teria sido aquele que cedo, cedo demais, se foi. e só agora, possibilitado pelo que ele vocaliza, passasse a ter ideia do que não me foi dado compartilhar.
herança generosa – numa família de homens que não falam de suas angústias e se veem ingeridos por elas. patrimônio ofertado por relato do pai outrora filho, meu filho? avô, eu, inscrito em réplicas de nome e datas?


Emília, mãe de Helio Braga da Silveira (15/mar./1929), então com dois anos, e Manzeca; 
Octaviano; e Heitor Amilcar da Silveira (17/nov./1889–17/nov./1933).
Heitor Amílcar da Silveira Neto (17/nov./1956)

19 de dez de 2015

planos: sul americanos


equilíbrio


tinham duas pedras à beira de um caminho na Argentina...

17 de dez de 2015

verão


                                              talvez vocês consigam
                                              atravessar esse verão
                                              talvez possam matar sua sede
                                              com jarras de cleriquot
                                              enxergar vultos nas montanhas
                                              saber o suficiente para falar sobre 
                                              o que falar à beira de uma piscina
                                              onde uma abelha se afoga
                                              no que resta de azul
                                              esta é a cor dos meus sonhos
                                              talvez vocês consigam 
                                              atravessar esse verão 
                                              mas poderão me perdoar
                                              pelo meu fracasso?

                                                                                                                   Julia de Souza

12 de dez de 2013

vênus de willendorf

São apenas 11,1 cm de altura. Mas o encanto dessa estatueta não tem limites. Encontrada em 1908, próximo ao Rio Danúbio, na região austríaca de Willendorf, a Vênus de Willendorf foi esculpida há uns 24 mil anos, numa rocha avermelhada, de calcário oolítico.
      A Mulher de Willendorf, como também é conhecida, não traz rosto. O couro cabeludo está recoberto por algo semelhante a tranças ou, quem sabe, pode ser que sua cabeça esteja pontuada por diversos olhos. Não foi concebida com pés. Talvez tenha servido de talismã e, assim, criada para ser transportada.
     Para alguns, sua obesidade, como ideal ancestral de abundantes mamas e ventre, traduz um status social superior em uma comunidade de caçadores e coletores. Representaria a estabilidade, o êxito e o conforto, para um grupo que viveria de forma comedida, alicerçado na Terra, despojado de confrontos e com surpreendente engenhosidade.  

   A peça autêntica está preservada no maravilhoso Museu de História Natural (Naturhistorisches Museum) de Viena. Tenho uma cópia dela na sala de minha casa. Pouco mais de 11 cm de puro charme.

7 de nov de 2013

gênesis

contraste a partir de clic inicial de Sebastião Salgado

21 de set de 2013

visita

em plena São Paulo, libélula visita varanda da Jacintha Editores.
e a jacinta se quadruplica.

16 de mar de 2013

melodia sentimental


Acorda, vem ver a lua
que dorme na noite escura
que fulge tão bela e branca
derramando doçura...

Acorda, vem olhar a lua
que brilha na noite escura
querida, és linda e meiga
sentir seu amor é sonhar

 H.Villa Lobos/Djavan