13 de jan de 2011

2 de jan de 2011

o caçula

não faz muito, estava ele de ponta cabeça. ouvia dos irmãos mais velhos relatos que, embevecido, lhe pareciam mágicos e topava tudo o que indicavam fazer. como se deixar fotografar por eles nas poses mais inusuais
....de uma hora pra outra, fez 40 aninhos. mudou, por exemplo, o cabelo, agora cortado sempre rente e já não mais liso. ficou a doçura, o fechado nos sentires, tudo na mesma figurinha luminosa

....há tempos é ele que deixa as coisas de perna pro ar. no insólito, no volume, na diversidade, no hermético, na riqueza – de escritos, leituras, desenhos, comentários, rabiscos, conhecimentos, e ainda de seus velhos silêncios
....e aí eu é que fico sem chão, a perceber tudo a passar, mudanças em não mudanças, crescimentos, perdas, movimentos, tudo o que não volta – e um horizonte sempre por se descortinar