24 de out de 2009

do centro

 sala de estar. recorte, mero enquadramento. a esquadrinhar foco, um dentre tantos. possíveis ângulos, arestas por aparar, restos. postos sobre a mesa de centro, entre sombras e luz em declínio. um novo corte, contraplanos, enganos. linhas, vãos – apenas um registro. frágil traço, como a giz, delineando rendas de tuas disposições. aliança frouxa, riso de escárnio. nem precisaria: situação emoldurada na parede oposta da sala com a marca daquele quadro nunca mais ali reposto. frágeis cavalos de batalha. teu robe há muito largado no banheiro, sem a menor desilusão. peças que nos pregamos espalhadas, travestidas relações. restam as malas abertas. pra onde? diálogos de férrea desconversa. metálica liga casada entre bronze e sino à porta de entrada. sequer ainda ressoa kind of blue pela casa. por cômodos vazios, nossos silêncios divagam por tantas impressões. desvão: recônditas ausências, nem mais a se valer do corrimão e seu arrojo encarnado. nosso barro cozido, tijolos que erguemos como pano de fundo: monólogos tolos, livros soltos, nós pelos cantos. nada desatado. e ainda a cozinha em sua falta de rescaldo. mesmo assim a mesa de centro permanece impecável.


foto: Oli

Um comentário:

obrigado por suas gotas!