19 de jan. de 2018
13 de jan. de 2016
linhagem no tempo
instigado por mim, meu pai rememora
sua infância. há prazer, interesse, curiosidade de quem fala e de quem ouve.
mas algo de lapso fica no ar. certa necessidade minha, como de atenuar não
ter participado daquela vida.
pelo
menos localizo algo assim na minha escuta. feito eu pai do filho que narra uma
existência – incontáveis causos, dramas, superações, insignificâncias – que eu
não pude dividir com o então garoto. apartado de tais momentos, os recupero de
um outro lugar, na carne de um ser ouvinte, em paradoxal avidez de recordar
feitos não vividos por mim. indiferente a isso, ele reparte comigo parte do
vivido. resgata, filtra, recria, diz lembrar. meu quinhão para registro.
pai dele
tenha sido, estaríamos juntos já nesta foto, com o patriarca Octaviano ao
centro. eu teria sido aquele que cedo, cedo demais, se foi. e só agora, possibilitado
pelo que ele vocaliza, passasse a ter ideia do que não me foi dado compartilhar.
herança generosa
– numa família de homens que não falam de suas angústias e se veem ingeridos
por elas. patrimônio ofertado por relato do pai outrora filho, meu filho? avô,
eu, inscrito em réplicas de nome e datas?
Emília, mãe de Helio Braga da Silveira (15/mar./1929), então com dois anos, e Manzeca;
Octaviano; e Heitor Amilcar da Silveira (17/nov./1889–17/nov./1933).
Octaviano; e Heitor Amilcar da Silveira (17/nov./1889–17/nov./1933).
Heitor Amílcar da Silveira Neto (17/nov./1956)
10 de jan. de 2016
9 de jan. de 2016
19 de dez. de 2015
17 de dez. de 2015
verão
talvez vocês consigam
atravessar esse verão
talvez possam matar sua sede
com jarras de cleriquot
enxergar vultos nas montanhas
saber o suficiente para falar sobre
o que falar à beira de uma piscina
onde uma abelha se afoga
no que resta de azul
esta é a cor dos meus sonhos
talvez vocês consigam
atravessar esse verão
mas poderão me perdoar
pelo meu fracasso?
Julia de Souza
24 de nov. de 2015
12 de dez. de 2013
vênus de willendorf
SãSão apenas
11,1 cm de altura. Mas o encanto dessa estatueta não tem limites. Encontrada em
1908, próximo ao Rio Danúbio, na região austríaca de Willendorf, a Vênus de Willendorf foi esculpida há uns 24 mil anos, numa rocha
avermelhada, de calcário oolítico.
A Mulher de Willendorf, como também é conhecida, não traz rosto. O couro cabeludo está recoberto por algo semelhante a tranças ou, quem sabe, pode ser que sua cabeça esteja pontuada por diversos olhos. Não foi concebida com pés. Talvez tenha servido de talismã e, assim, criada para ser transportada.
Para alguns, sua obesidade, como ideal ancestral de abundantes mamas e ventre, traduz um status social superior em uma comunidade de caçadores e coletores. Representaria a estabilidade, o êxito e o conforto, para um grupo que viveria de forma comedida, alicerçado na Terra, despojado de confrontos e com surpreendente engenhosidade.
A peça autêntica está preservada no maravilhoso Museu de História Natural (Naturhistorisches Museum) de Viena. Tenho uma cópia dela na sala de minha casa. Pouco mais de 11 cm de puro charme.
A Mulher de Willendorf, como também é conhecida, não traz rosto. O couro cabeludo está recoberto por algo semelhante a tranças ou, quem sabe, pode ser que sua cabeça esteja pontuada por diversos olhos. Não foi concebida com pés. Talvez tenha servido de talismã e, assim, criada para ser transportada.
Para alguns, sua obesidade, como ideal ancestral de abundantes mamas e ventre, traduz um status social superior em uma comunidade de caçadores e coletores. Representaria a estabilidade, o êxito e o conforto, para um grupo que viveria de forma comedida, alicerçado na Terra, despojado de confrontos e com surpreendente engenhosidade.
A peça autêntica está preservada no maravilhoso Museu de História Natural (Naturhistorisches Museum) de Viena. Tenho uma cópia dela na sala de minha casa. Pouco mais de 11 cm de puro charme.
7 de nov. de 2013
21 de set. de 2013
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